sábado, 14 de junho de 2008

conflito de interesse

Há falta de pessoas interessantes por aí. Ou o meu conceito de "interessante" é muito rígido, ou as pessoas são, em maioria, medíocres mesmo. Vamos às considerações sobre essa decepção. É triste ver, em um mundo com tantas possibilidades de criação, interação e reflexão, as pessoas seguindo uma padronização digna de ovelhas. Olhando para o grupo mais próximo a mim, de jovens, fica fácil entender essa crítica.

Na nova faculdade, conto nos dedos as pessoas que considero interessantes e instigam de verdade. Não que as outras não sejam interessantes, afinal talvez eu não as conheça bem para poder julgá-las assim, mas até então, a verdade é que poucas cativaram. Poucas pessoas se diferenciam, geralmente apenas seguem as tendências, e isso vai desde os assuntos falados até a música escutada. O camarada que na entrevista do trote responde, na lata, na frente de todo mundo, que é virgem (total ídolo) é apenas aplaudido na hora, mas depois não é tão valorizado socialmente quanto o carinha "dentro do esquema", que se veste dentro do que as vitrines permitem, que "senta no bar pra beber uma cerva", que vai pra night, fala de futebol e mulheres.

Hoje acabei tendo dois estudos de campo. Comecei indo no "mangue", no fundão. Ao chegar já dá pra ver que as estudantes da ufrj, que no vestibular conseguiram sacar o que há de barroco no texto do Vinícius de Moraes, facilmente viram cocotinhas com o funk que toca nos carros abertos dos lekes ali presentes. Uma circulada entre as pessoas já dá uma leve e triste noção do tipo de assunto que rola. Ae me veio uma ingênua ilusão: "Ah não, isso aqui ta assim pq eh galera mais de biomédicas e exatas, não estão (em maioria, obvio q nem todo mundo) muito ae pra cultura, filosofia e politica (que em excesso fica chato também, mas um pouco é bom), inovações e porraloquices (sempre bom)"..

Em casa surge um novo convite, para um evento na unirio, era promissor.. Mas chegando lá o que vejo é uma boa concentração de neo-hippies, e principalmente culturetes, mulheres estilo "sana" (agora na minha idade elas disfarçam melhor, mas na escola vinham a carater), homens barbados tipo anos 70-80 (só faltava comentarem lances do Zico, Adílio, Nunes, mas não eram nascidos na época, nem eu), mas tinha outros tipos de pessoas tambem.. mas muitos venerando e cantando Chico Buarque em voz alta como se fosse hino.. hino da cultura bem vista, o oposto do funk do mangue. Hoje é tão fácil não ser fútil, apenas goste de Chico Buarque, aprenda "vai passar" e "apesar de você" e pronto... E quando a banda tocou Asa Branca? putz, ae as mulheres se empolgaram, começaram a rodopiar se sentindo as nordestinas, verdadeiras Sinhás Vitórias... tchau

casa da matriz ainda ta valendo

15 comentários:

Premeditado disse...

Nao entendo como nego implica com o Funk!
Eu gosto de Guinga Tchaikovsky Faith No More e Bonde dos Caçadores po!

E se toca um funk dos bons eu me amarro e só não desco até o chão por falta de coragem ou talvez porque como homem fique realmente impossível.

As meninas de sainha de forró cantam Chico como estariam cantando bom chi bom chi bom bom bom

Que bom que pe chico porra.

O q eu discordo desse seu julgamento é que é totalmente superficial. Julgamento de Tribo. Não funciona, não existe, toda generalização é um erro por princípio.

Agora se tu perguntar pra mim qts mulheres entre aquelas da uni rio eu acho que prestam, direi 3 de 100.

MAs nao vou ficar pixando a tchurma delas.

nucci disse...

Não entende? é por ser música do povo e não da elite, simples assim

Eu sou parecido: gosto de Guinga, Radiohead, Dvorak e.... Tom Jobim, pq o funk realmente não me agrada pela musica... no maximo me faz rir, mas pra isso sou mais filme do Woody Allen, Hermes e Renato, o programa "15 minutos" do Adnet, etc..

agora, "Que bom que é chico porra."
discordo totalmente.. um uso banal (modismo, tendencia) de uma arte foda que o cara fez.. é como os muitos (não todos) pseudo-Ches que existem na luta estudantil, uma banalização do movimento esquerdista.

E o meu julgamento é superficial, todo julgamento é superficial em algum nivel, ainda mais em se tratando de gente. Já que isso é inevitavel, temos que jogar assim. E vc mesmo o fez, ao dizer que acha que dali apenas 3 de 100 prestam.

Mas eu tento ter alguma noção das coisas pra falar, e pra isso tem que conviver.

Ivan disse...

O único comentário que posso tecer a respeito desse post é que agradeço a Deus por existirem pessoas fúteis. Graças a elas que alguns podem se destacar. Imaginaram o marasmo que seria a vida se todos tivesse apenas um padrão? Viva a diversidade de tribos, opiniões, etc! Como diria minha falecida vó Nadir: "Sempre vai haver um sapato para seu pé torto" Abracetas a todos!

Premeditado disse...

Mas é que eu acho que 3% do mundo presta

E realmente rola a desvalorização de algo valioso com a banalização.

MAs eu acho que mesmo na modinha nego absorve, alguma parcela. essa parcela não tá simpolesmente reproduzindo, mas sim absorvendo de fato.

Por isso acho q termino reiterando o 'ainda bem que é chico porra'

Marina prima disse...

Nossa, Pedro! Mas que lugares horrorosos são esses que vc anda frequentando??!!!

Marina prima disse...

Vamos lá... elaborar mais o meu comentário!
1. Sou cientista social, portanto, uma das minhas tarefas é ver o "interessante" no "desinteressante". (mas isso como trabalho, na vida pessoal há certos limites, certo?)
2. Acho que não há um abismo tão grande assim entre as "exatas" e as "humanas", como vc bem mostrou nesse post (somos todos igualmente babacas). Até porque essa divisão é altamente questionável...
3. Agora, reafirmando meu comentário anterior... Para mim, vc descreveu duas cenas incrivelmente bizarras... Não consigo me imaginar passando mais de cinco minutos lá (a não ser como trabalho de campo mesmo, hehe), mas é pq não é minha praia, enfim, nada contra. Também não acho maneiro trotes de faculdade de um modo geral, e acho tão babaca se afirmar "pegador" como se afirmar "virgem". (posso elaborar esse argumento melhor, mais tarde)
4. Acho que o Gabriel ficou ofendido com o lance dos homens barbados, hehehehehe!!
5. Por último, a pergunta final que se coloca é... A Casa da Matriz REALMENTE ainda está valendo???????
Ok, quando quiser tomar um chopp com um casal desinteressante, que adora papos adnétianos e à la Hermes e Renato me avisa!
Beijos.

nucci disse...

Marina "Prime",
1 - pois é, e inclusive quem não é sociologo pode fazer um bom uso do desinteressante, to tentando transformar frustração em discussão, por exemplo, que é um interesse meu!
3 - pois é, tb nao eh minha praia, veja minha decepção.. agora, o cara q se afirma virgem pra mim tem babaquice diferente do que se afirma pegador. argumente ae, fiquei curioso (isso pede novo post)
4 - que isso, meu comentario nao atinge ele, que nao faz estilinho anos 70.. vc sabe do que eu estou falando!
5 - Faltou eu acrescentar, que é apenas um evento que acontece la q é bem manero, nao sei mto dos outros dias, nao sou rato de lá

agora, nao entendi a do casal desinteressante.. eh tipo joguinho q a mulé fala "to feia" pro cara negar "Que isso, vc ta linda!!" ? eheheh
po vcs sao pessoas interessantes (e não estou falando isso pelo currículo, prática muito comum hoje em dia)

AUEEI

Marina prima disse...

Oi Pedro!
O que quis dizer com o lance do "virgem", é que tanto ele quanto o "pegador" não rompem com a babaquice. O discurso (embora em extremos opostos) ainda está reafirmando toda uma maneira de ser homem na nossa sociedade (reafirma o machismo e heterossexismo). Mas é melhor deixar o assunto para outra hora. hehe
O lance do "casal desinteressante" não foi uma estratégia para receber elogio, embora eu adore receber um, é claro!
Foi uma tentativa de questionar o interessante de um modo geral (putz, tô virando meio pimba... que coisa horrorosa...). Se o interessante, para uma grande maioria, é ser bombado, ouvir funk, pegar mulé, ou... no extremo oposto, ter um estilinho "sana" (medo!), tenho o maior orgulho de dizer que sou absurdamente desinteressante. ;)
Bjos.

Tiaco disse...

Considerações Tiáqueas (seguindo o molde enumeráceo)
1 - Façamos uma meia-culpa. Não existe ninguém que não procure de alguma forma se enquadrar em padrões sociais (mesmo que essa tentativa esteja no ´não-padrão', ou no ´quase-padrão´, ou nos infinitos espaços entre esses). Talvez a diferença esteja na forma como isso é feito. Provavelmente, os que "forçam a barra" para entrar num grupo e fazer um estilo, devem ter algum tipo de insegurança, ou dificuldade de descobrir uma personalidade própria (pelos mais diversos motivos). Se existe esse grupo aqui de discussão, então nós formamos o "grupo que olha os outros de tal forma e não tenta se enquadrar nos padrões típicos". E com certeza gostamos dessa posição.
2 - Será que existe o interessante X desinteressante?
3 - Olhando para o passado, será que isso que é colocado nesse post é uma grande novidade, ou apenas algo antigo que assume outras formas? Talvez a vida de isolamento da cidade grande reforce a necessidade desesperada de se enquadrar em algum lugar. Uma necessidade de pertencimento (em determinados grupos) sem necessariamente colocar isso conjuntamente com uma construção subjetiva em que a identidade no social faça um sentido com a vida (inconsciente) diferente de cada um. Pessoas diferentes buscando vidas iguais.
To com a sensação que falei um monte de besteira, mas sou bem aberto a críticas, então quem se dispuser pode me quebrar aí hahah

nucci disse...

Marina,
vou discordar. O cara que se assume virgem está apenas revelando uma caracteristica dele (e que é mal vista). Fazer isso é ir contra a corrente de "ser pegador de mulé"..

ah ta e vc falou "interessante" no senso comum.. ae tudo bem, eu teria o mesmo alinhamento!

Tiago,
1 - de acordo
2 - ae q ta, o que é interessante pra um individuo pode não ser pra outro.. E obviamente vc pode falar em um degradé (não é 8 ou 80)..
3 - Good pap alavancation, man. Interessante (olha ae) que a cidade grande é cheia de gente por metro quadrado, mas ao mesmo tempo o grau de interação entre essa gente é bem baixo. Caraleo, pode crer cara, o isolamento da cidade grande impulsiona muito a padronização que a gente vê. Vejo ela como uma corrida inconsciente das pessoas pra se sentirem pertencentes a um grupo. No "campo" rola tb alguma padronização, mas a impressão q eu tenho eh q ela eh diferente.. (to be continued)

Purple Rain disse...

como todos estão afirmando e reafirmando, se enquadrar é fácil, o difícil é inovar, mas mesmo dentro de quadros há excessoes, mas por incrivel que pareca, nem sempre são as excessoes que se destacam.

não são só as cocotinhas que gostam de funk, nem só as "cults" curtem chico buarque. Hoje há uma diversidade de estilos e de pessoas imensa, que eu nem saberia definir ou especificar e
ao mesmo tempo, como há maior aceitação, há menos necessidade de nos escondermos o que faz com que nos encaixemos em meios de pessoas que naturalmente gostam de coisas similares as nossas... voilà, o que faltar, a gente se enquadra.

Mas a quebra também é divertida né?... Revoluções e vanguardas tornam a vida incrível, mas oprimem um pouco. Que nem estavamos falando naquele dia, eu nao teria coragem de me vestir como gosto se fosse em uma festa de patricinhas e playboyzinhos. As pessoas ainda possuem a cabeça muito fechada e discriminam, mesmo com esse papo de libertarismo. Você pode contar nos dedos as tais "culturetes" que não falam mal das patricinhas ou das frequentadoras de baile funk, e a recíproca é verdadeirÍSSIMA. Estou sendo bem extremista, mas o que eu quero dizer é que, da forma que a sociedade está, ainda é complicado que consigamos ser nós mesmos sem sermos julgados, ou se julgados, não nos incomodarmos.

O caso que escutamos em comum da menina que usou um nariz de palhaço é a prova: não a conhecemos para dizer se aquela era realmente ela tentando quebrar os preconceitos e ignorando a "lei de enquadramento social" ou se era alguém querendo aparecer, e percebemos que em maioria foi apenas tachada como "alguém querendo aparecer".

Carol disse...

pedro nem vem q tu também eh leléski

nucci disse...

essa Carol antigamente me apoiava, quase uma fã, uma tiete.. agora fica nessa.. acho q eh pq eu ainda nao entreguei a musica pra ela! calma q até seu aniversário fica pronta!

ociosoanônimoautorizado disse...

esse fiquei com certa preguiça de elaborar uma resposta. compensou com uma boa discussão via telefone.


só não duvide do poder transformador da arte.

spanish_girl disse...

No meu ponto de vista o que existe muito é o conflito de identidades quando se fala de grupos sociais. Algumas pessoas parecem que se permitem estarem sempre condicionadas a digamos “modismos”, no que se refere aos comportamentos de determinados grupos. Você falou de algumas ”tribos” e etc. Isso são representações de identidades sociais de determinados grupos de pessoas “que pensam da mesma forma”, “parecem pensar” ou ainda "querem pensar". Isso gera uma espécie de “padrão” ou “modelo” que passa a ser seguido por uma pessoa dentro de um grupo e para ser aceito por ele.
Ah... interesse, interessante... Eu acho a palavra interessante “interessantemente” complexa e gera uma série de interpretações: tipo – “o que é” ou “quem é”? Não estou exagerando não. Imagina – colocar tudo isso envolvido em problemáticas, “x”, “y”, “z”...
Posso estar errada mas entendi que você está comentando a questão do interesse do ponto de vista da não superficialidade. Das pessoas serem exatamente como elas são, sem serem artificiais, ou fúteis ou ainda medíocres. De quererem passar uma imagem falsa somente para agradar alguém ou mesmo para se sentirem “poderosas”. Isso acontece muito no quesito “azaração”. Para conquistar alguém, muitas pessoas camuflam muitas vezes seu “próprio eu” na busca de ser interessante para o outro. E isso ocorre tanto para homens como para mulheres. Existe também a turma dos “ex” que ainda estão sozinhos(as) por aí muitos deles ainda tentando voltar para seus respectivos “ex-pares”, por acharem que está difícil conquistar alguém novo(a). Será que isso vale a pena? Eu já fui de sofrer muito por ex-namorado mas hoje em dia entendo que se o relacionamento não continuou é porque não era para ser e pronto!
Acredito que ser o que não se é seja pior do que a pessoa que você não se identifica, e vice-versa porque ambos vivem ou gostam de coisas e situações que são insuportáveis um para com o outro. Daí se torna mais fácil a identificação do “ser interessante” ou não. Não acho fulana ou fulano interessante por “a”, “b” ou “c”. Então fica cada um na sua e pronto. Porém também se não tiver como não deixar de conviver com essa pessoa – porque às vezes não tem como mesmo – ela(a pessoa) pode ser um(a) colega de turma, um(a) professor(a), um(a) colega de trabalho – aí você vai ter que saber administrar a sua relação com essa pessoa nas horas que você tiver que conviver com ela, já sabendo até aonde é “suportável” ir ou não. Agora quem finge ser o que não é – sinceramente – merece padecer no seu “mundinho autista”. Fuiiii...